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Como fazem isso? OMG

CARTA DE SUICÍDIO
Provavelmente minha alma já deve ter encontrado o céu agora.
É tarde e eu fiz tudo isso com todos os planos para que nada desse errado. Eu espero esse fim há muito tempo.
Papai e mamãe, eu queria que ao menos uma vez vocês olhassem pra mim e dissessem que tudo ia ficar bem. Eu queria que vocês tivessem acreditado em mim. Eu queria mais tempo para explicar-lhes a dor que me habita, mais hoje ela transbordou e o relógio está tocando as quatro badalas da morte.
Desculpem-me por tudo, mas eu não consegui ouvir os consolos dos inúmeros pares de sapatos e roupas de marcas que vocês me abarrotavam. Eu tinha tudo, menos amor, e era amor o que eu mais precisava.
Eu não sei explicar. Talvez eu tenha me seduzido pelas bebidas e pelas drogas, pelas facas, pelas lâminas. Elas eram minhas amigas mamãe. Conversavam comigo sempre que eu estava sozinha, e ah, eu gostava tanto delas. Você entende? Quando eu não tinha mais ninguém, elas me acolhiam. A noite vinha fria demais, o coração apertava demais, e os olhos , ah os olhos, estes vão apagar em minutos. Eles cansaram muito de chorar. Mergulharam tanto em lágrimas que não conseguem mais ficarem sóbrios.
Eu peguei os seus remédios papai. Eles são coloridos e eu gosto de cores. Combinei o marrom com o vermelho - a mamãe adorava essa combinação. E os amarelos ficaram por último, porque amarelas foram as flores do enterro da vovó.
Os meus pulsos nunca estiveram tão vermelhos e meus olhos nunca se afogaram tanto. Eu mergulhei nas ondas da angústia e a vida não me deu bóias. Sinto muito, eu me afoguei.
E eu gosto muito do vermelho, e dos meus pulsos. Meus pulsos. Lembra quando me perguntaram se eu os tinha machucado? E eu respondi que havia um prego na mesa da escola, pois é, o prego era o estilete que o papai usara para cortas os cartões do seu novo escritório. E o machucado, ah, ele não importa pra vocês.
Hoje eu quis mais vermelho, eu quis mais sangue. E eu consegui.
Ficarei inundada nas marés apaixonantes do inverno e sorrirei, quando despercebida, chegar ao mundo que eu tanto sonhei.
A água, o vinho, os venenos. Estão todos aqui, estão assistindo ao meu fim. São a minha plateia fabulosa, silenciosa e agradavelmente fria.
Eu nunca quis fazer ninguém chorar, mas ninguém nunca se importou com as minhas lágrimas. Faço justiça então.
Ninguém nunca vai entender minha dor, porque só eu sei o quanto mata.
Não se perguntem por que eu morri agora. Se perguntem por que é que vocês ainda estão vivos.
Eu lutei demais. Eu sofri demais. E, papai eu já estava morta há muito tempo, dentro de mim mesma.
Deus pode ter exagerado no meu fardo, mais ele abusou da minha coragem. Coragem esta que me conduz ao precipício agora.
Pode ser que eu pague tudo em outra vida, mas hoje eu preciso matar a dor. O hoje é o que me importa. Eu não vou viver o amanhã.
Não há ninguém para me salvar, e eu não sinto muito. Dou graças a Deus pelas circunstâncias favoráveis do dia de hoje: chuva, muito trabalho, cidade agitada, fim de ano e casa vazia.
Amanhã nos jornais, eu, infelizmente vou ser a capa – “Menina perfeita se suicida e deixa carta.”
Eu só quero que saibam que eu tentei apesar de tudo. Minha mente sempre será uma incógnita para todos, e para mim, ela é apenas a perfeição.
Hoje eu protagonizarei meus diversos contos publicados nos jornais da escola.
Eu estou partindo, pra sempre.
Com carinho,
Ofélia.
Coffee and Pain

Eu estou oficialmente desistindo de nós. Eu estou oficialmente desistindo de chorar todas as noites por alguém que eu sei que não vai voltar. Eu sou boa demais para sofrer por você. Mesmo com todas as tuas tentativas maldosas de querer me deixar para baixo, eu sou melhor do que isso tudo. Eu sei que sou. Ainda me sobrou um resquício de amor-próprio mesmo depois de toda aquela confusão que ficou a minha cabeça desde que você foi embora. Eu ainda me basto, eu ainda me tenho. Não vou depender das tuas sobras para ser feliz. Eu vou pegar o rumo certo. Eu vou aprender a conviver com a dor de ter um coração literalmente despedaçado. Vou aprender a ser feliz. Eu estou me livrando de você e de qualquer lembrança tua que ouse surgir. Eu me permito não pensar nunca mais em você. Não quero me enganar, eu ainda te amo. Mas eu não te pertenço mais. (bihcandy)

“Discos espalhados pela casa, roupas pelo chão, louça para lavar, uma pilha de contas não paga. Sua casa ficava o dia inteiro fechada, estava quase mofando. Ela estava em uma de suas depressões, mas essa estava durando um grande tempo. As flores que haviam em sua casa tinham morrido, as roupas deveriam estar ali no tanque a mais de duas semanas, a louça já tinha perdido a conta de quanto tempo estava ali. Seus discos favoritos estavam cheios de pó. Ela passava o dia inteiro sem comer, só tomando diversas pilulas. Aos poucos ia morrendo. Lendo seu livro, cantando em voz alta era assim que seus dias andavam. Falava até mesmo com a parede. Aquela parede que costumava ser rosa cheia de borboletas e carinhas felizes. Hoje está pintada de branco cheio de desenhos que com o tempo está mofando. Sua casa estava sem luz, sem água, sem cor, sem emoção. Ficava na cama o dia inteiro, parecia morta, sem cor. Jurava em dizer que havia alguém batendo na porta, ouvia vozes que ninguém mais podia ouvir. O que lhe restava de amigos, esqueceram dela. Ela estava sombria, assim como sua casa. Ninguém mais ia visita-la, seus remedios e suas pilulas estavam lhe matando aos poucos. Já estava morta por dentro, só lhe restará morrer por fora. Levantará da cama somente para fumar alguns cigarros, ou quem sabe ficar admirando a escuridão da noite. Levantou da cama, vestiu-se com um roupão velho e sujo, colocou suas sapatilhas que já nem lhe servirá mais, acendeu um cigarro e saiu andando pela noite. Destraida, já panaoica, atravessa a rua sem olhar para nenhum dos lados. Um carro lhe atinge em cheio, ela vai morrendo aos poucos. Caida ao chão, sozinha, naquela obscura estrada sem saida. O motorista foge, deixando-a caida no chão. Seus olhos vai se fechando aos poucos. Ela dorme profundamente naquela imensa escuridão.”
- Rafaela, total-suicide.

Eu queria apenas que tu me escutasses às vezes, que me compreendesse, tentasse me entender ao menos uma vez. Todos os meus erros, minhas falhas, minhas atitudes foram sem más intenções, mas tu me falaste como se nunca tivesse errado na tua vida. E ainda diz que nenhum ato feito por amor é errado. E os meus atos? Acha que foi feito por o que? Por vontade? Vontade de te machucar? Tu disseste que o teu coração está machucado, isso dói mais em mim do que em ti, dói porque tu dizes que fui eu quem o machuquei. Lembrar de todas às vezes que eu tive que te ouvir no telefone, tu, com aquela tua voz triste, me mata só por lembrar. E ainda saber que fui eu quem te deixou assim, mesmo sem intenção alguma. […] Eu fui tão tola, estúpida e ingênua ao mesmo tempo em que acabei esquecendo-se de te entender, de te ajudar e de nos ajudar. Acabei me preocupando mais com a minha felicidade do que com a tua, egoísmo meu. Hoje tu não estás mais aqui comigo, eu perdi tempo demais tentando controlar a paixão ao invés de deixar ela nos controlar. E as únicas coisas que restaram são o meu arrependimento, a minha dor e a nossa saudade.

E de novo, aqui estamos nós, no mesmo quarto. Eu, meu coração e minha mente, discutindo. A xícara de café frio em cima do criado mudo, aquela bebida que tanto me fazia bem, já não serve mais. Estou eu aqui, sentada em minha cama, com o mesmo caderno de sempre em mãos. Caderno no qual escrevo meus sentimentos. Se é que ainda os tenho. Penso e re-penso em tudo. Afinal, o que eu fiz com a minha vida? Ela não é mais a mesma desde que “eles” chegaram nela. Chegaram e partiram, assim como um avião pousa em um aeroporto e decola. Minha vida é um eterno aeroporto. Um aeroporto em péssimas condições. Sinto-me inútil. Sem vida. Virei outra pessoa. Uma pessoa pela qual nunca pensei que iria me tornar. Fria, monótona, cansada. Pode uma pessoa cansar da sua própria criação? Eu criei essa vida, agora devo aceitar as conseqüências. Acho que está mais do que na hora de ver as coisas por um lado um tanto quanto… Positivo. Eu não tenho mais nada a perder. As coisas começam a se encaixar. A menina cresceu. Agora não se satisfaz com as mesmas coisas de antes. Acaba sentindo desejos pelos quais nunca havia sentido antes, acaba vendo as coisas com outros olhos. Acaba vendo que precisa viver… Ela não pode se esquecer, ela não tem mais nada a perder.

É uma mistura de medo, angustia com não saber o que fazer, nem como sobrevier. Talvez você esteja mesmo com problemas mais sérios que o normal, talvez você esteja mesmo precisando de ajuda, mas você não quer mesmo acreditar. É uma mistura de desânimo com nostalgia, saudade, falta… Talvez esse desânimo venha da saudade que você diz não sentir, saudade de como tudo era antes. E de qualquer modo, mesmo que isso te machuque, você continua vivenciando todo aquele passado em sua mente, não é? É uma mistura de amor e ódio. Tristeza e felicidade. Você sabe que ainda o ama, mas é difícil para você assumir. E você continua… Continua fantasiando mentiras e continua citando todo o “ódio” que diz sentir por ele. Longe dele, seu coração sabe o quanto está triste, mas seu cérebro continua fantasiando uma felicidade inexistente. E são tantos sentimentos envolvidos, tantas duvidas, tantos “por quês”, tantos “talvez”, tantas… Dores e poucos seres nesse mundo capazes de te ajudar.

“Eu tinha exatamente duas opções: Te querer, ou tentar te ter. Não por ser mais uma daquelas besteiras de amor, que vem e passa, mas to falando da sensação de cada uma. Mas no final, realmente, quis as duas. E o pior foi que fiquei sem nenhuma…” (❥yourself)

“Parece aquelas pinturas de quadro sabe? Que não mexe nos sentimentos, para não se deixar consumir com dor. Deixo eles guardados ali no cantinho, e não deixo aliás ninguém mexer. Porque assim como muitas, eu não gosto de ficar revelando eles. E quem dirá ficar brincando com eles, como se fossem algo que conseguimos fácil e jogamos no lixo fácil. Agora eu to deixando eles ali. Ta cheio de poeira eu sei, mas melhor assim do que cheio de lágrimas.“ (❥yourself)